CURIOSO, EU??? – A CIDADE DOS EVENTOS

21 03 2011

Transeuntes param para ler a capa dos jornais do dia

Você deve estar pensando que vou falar de eventos como no Bienal do livro no Rio Centro, congressos ou coisas do tipo, que aliás a cada ano aumentam mais e mais no Rio de Janeiro. Mas não é bem isso. O que quero dizer é que tudo no Rio vira um evento. Desde um simples café no trabalho à visita do Presidente dos Estados Unidos à cidade.

No seu trabalho, na faculdade, enfim, num lugar que vc freqüente, experimente contar alguma coisa que te aconteceu, logo juntam-se várias pessoas ao redor para ouvir a história. E o mais incrível é que entre os espectadores apareçam pessoas que vc nunca viu na vida e que podem até dar opnião ou lhe fazer perguntas depois – ou até mesmo durante – a sua história. Eu achava que conhecia gente curiosa, mas aqui, não sei se é o calor, mas a coisa toma uma proporção muito maior.  Vira um evento.

E se tiver alguma discussão no meio da rua? Vira um evento.

Até aqueles caras que ficam lendo a bíblia e falando a plenos pulmões no centro da cidade, até eles ganham público e vira um evento – ou uma reunião religiosa a céu aberto.

Um guindaste içando alguma coisa para o alto de algum prédio = evento.

Uma vez peguei um táxi, estava atrasado para viajar e precisava sacar dinheiro depois das 22h. Pedi para o taxista seguir a um supermercado onde sabia que tinha caixa eletrônico 24h, quando estava na esquina do supermercado, a 30m. do caixa, um ônibus bate no táxi. Pensei: O que mais pode acontecer? Agora vou ter que servir de testemunha para o taxista e estou atrasado, etc. Testemunha era o de menos. Em menos de 20 segundos, tinha mais de 50 pessoas – não é exagero – cercando a cena do acidente, pronto, já tinha virado um evento. Rapidamente peguei minha mala e segui minha vida, claro, deixando pago ao coitado do taxista a parte que lhe cabia.

Dias atrás, me lembrei daquele filme antigasso, sessão da tarde com Ed Murphy: Um príncipe em NY. No final – pelamordedeus quem não viu ainda, sinto muito, vou contar o final, perdeu playboy, perdeu – a mocinha entra na estação do metrô lotada e o “príncipe” Ed Murphy começa a gritar algumas frases tentando convencer a mocinha a ficar e não abandoná-lo – ela tinha ficado chateada pq o príncipe tinha se passado por um pobretão para não atrair pretendentes interesseiras.  Só que a mocinha não escuta e as pessoas que estão entre eles começam a ajudar repetindo as frases como se fosse um telefone sem fio gigante.  É bem Rio de Janeiro isso, principalmente a parte em que a mocinha fica na dúvida e as pessoas começam a opinar e tentam convencê-la a ficar com o Ed Murphy sem ao menos saber da história nem a metade.

No final eles se casam, óbvio.

Não posso negar que foi difícil me acostumar com tudo isso, mas agora até vejo um lado positivo nessa curiosidade aguçada.

É a velha história de pedir informação, se a pessoa a quem vc perguntou não souber, alguém que ouviu sua pergunta vai entrar no meio da conversa e responder.

Quase tudo tem seu lado bom, não é mesmo?

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